Quem me vê e não me viu.
"Não, meu coração não é maior que o mundo. É muito menor. Nele não cabem nem as minhas dores. Por isso gosto tanto de me contar. " (Carlos Drummond de Andrade) No começo foi de brincadeira. Ou talvez nunca tenha sido de brincadeira, não estou certo. Mas a verdade é que um dia, sozinho em casa, resolvi conhecer os efeitos que a maconha teria sobre mim. Tossia como se estivesse engasgado com o mundo, mas insisti. Nunca fumara nada, e estava finalmente quebrando tabus, era assim que pensava. Os colegas se deram por satisfeitos, até que enfim, a gente pensava que você era "careta". Assim como tantos, comecei a chamar os que não fumavam de caretas e passei a frequentar um mundo de não-caretas, de muito loucos, que faziam o que bem queriam. Não tardou muito para querer fazer coisas bem piores, usar drogas mais pesadas. Bebia muito, cheirava todas...e a vida transcorria como sempre, eu pensava. Só bem mais tarde percebi o quanto a vida passou mais rápida, e o quanto afunda...